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Archive for February, 2010

Crise nas Cidades – uma estrevista com Raquel Rolnik

February 14, 2010 Leave a comment

Nos últimos meses estamos acompanhando pelos diversos meios de comunicação discussões, reflexões e conclusões sobre as tragédias recentes provocadas pelas chuvas em diversas cidades brasileiras.
Muitas prefeituras, em especial a do município de São Paulo, alegam que o excesso de chuvas foi a grande responsável pela incapacidade da cidade em responder eficazmente ao volume de águas dos últimos tempos. Justificativas que não convencem nem um pouco os moradores das regiões e bairros mais atingidos, muitos embaixo d’água por mais de 50 dias como o caso do Jardim Pantanal localizado na zona leste da cidade de São Paulo, à margem esquerda do Rio Tietê, no distrito do Jardim Helena, em São Miguel Paulista.
Não é de hoje que os moradores da região lutam por melhores condições. Essa luta deu origem ao MULP – Movimento por Urbanização e Legalização do Pantanal. Entre suas reivindicações estão a proibição de despejo de lixo e entulho e a criação de áreas de transbordo e triagem de resíduos de construção (http://www.sr-cio.org/index.php?option=com_content&view=article&id=462:jardim-pantanal-uma-referencia-na-luta-por-moradia-na-cidade-de-sao-paulo&catid=46:movimentos&Itemid=69 ).
Não é de hoje que bairros como esse lutam e exigem da prefeitura melhores condições. O Jardim Pantanal passou a ser um exemplo de descaso do poder público ao mesmo tempo em que uma referência para se compreender o modelo de urbanização desordenada existente não só na capital paulista como na maioria das grandes cidades brasileiras.
Para que possamos compreender melhor esse processo escolhi comentar a entrevista da urbanista e relatora especial da ONU para o direito à moradia Raquel Rolnik. Em entrevista à Revista Fórum no mês de janeiro de 2010, Raquel aponta que o atual modelo de desenvolvimento urbano é o grande responsável pelas tragédias recentes que estamos acompanhando. A revista questionou Raquel quanto a falta de planejamento urbano no Brasil e sua resposta central apontou que o modelo de desenvolvimento urbano adotado resultou na vulnerabilidade das cidades, no colapso da mobilidade nos grandes centros urbanos e na fragilidade socioambiental, o que provoca recorrentes alagamentos, inundações e deslizamentos de terra.
A revista também questionou Raquel quanto aos interesses do capitalismo por esse tipo de modelo de desenvolvimento urbano. E mais uma vez a urbanista foi muito clara. De acordo com Raquel Rolnik para o capital é necessário que as mercadorias circulem. Portanto todo o modelo atendeu às expectativas do capitalismo e, portanto, aos interesses dos grandes grupos corporativos aqui fixados. Apontou que nossa política de reestruturação territorial acompanhou o ritmo da adoção de um modelo urbano-industrial iniciado em 1930 por Getúlio Vargas e consolidado na década de 50 do século XX por JK. Processo esse que transformou a indústria automobilística no pilar mais importante da base econômica brasileira. O capitalismo Industrial Brasileiro baseado na produção automobilística foi o elemento central no processo de urbanização deste país. O desinteresse pelas estradas de ferro (possível de se ver no abandono de uma série de investimentos ao longo do século XX) e a opção pelo desenvolvimento rodoviário causou enormes impactos inclusive em relação à exploração das nossas matrizes energéticas.
Isso tudo tem um efeito importante na ocupação do território. A opção histórica pelo desenvolvimento rodoviário expresso nas principais políticas adotadas pelos governos em relação à Indústria Automobilística, tanto no passado como no presente (redução ao nível 0 do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados), revelam o abandono do poder público em relação a temas de fundamental importância como política habitacional, política urbana, transportes públicos, saúde e educação.
Dessa forma, mantém-se um padrão excludente de desenvolvimento, que jogou a habitação para o campo da informalidade e conseqüente precariedade. Para Raquel Rolnik é difícil perceber hoje a diferença entre favelas e loteamento irregular, pois a marca da precariedade urbanística está presente nos dois. São espaços autoproduzidos que não obedeceram normas. Esse é o padrão autoexcludente: o povo constrói e o poder público se limita ao papel de negociar com a comunidade sempre de forma lenta. Até pelo fato de que as pessoas ali estabelecidas são votantes e alimentam esperanças num governo que possa alterar aquele status quo. Em contrapartida os políticos alimentam essas esperanças com promessas que muitas vezes nunca são cumpridas. Círculo vicioso que nossa história nos mostra e que já provou incapaz de mudar.
Raquel Rolnik, em sua entrevista, mexe em pontos extremamente importantes como o desenvolvimento do setor imobiliário, questões referentes ao Código Florestal de 1965, ambientalismo, bairros de classe média etc. São inúmeras as temáticas por ela desenvolvidas.
Ao final faz uma crítica sensata sobre o Governo Serra e ao Governo Lula apontando que mais uma vez os interesses de um grupo atrapalharam as principais metas de desenvolvimento urbano do Estado e do Governo Federal (Ministério das Cidades), apontando que programas como Minha Casa, Minha Vida nada tem a ver com o sistema nacional de habitação de interesse social. Ela aponta que o programa tinha muito mais um caráter antirecessivo e de dinamização da economia contra a crise econômica do que atender aos interesses da população.
Artigo muito interessante e fundamental para que possamos compreender a dinâmica de desenvolvimento econômico e político do Brasil assim como as opções que foram firmadas ao longo da nossa história e que provocam as contradições e as tragédias atuais em nosso território.
Faço aqui uma pequena menção explicando que ao longo desse texto inseri referências do meu entendimento na área, principalmente ao que concerne á forma particular de desenvolvimento industrial e à formação do principal pilar da economia nacional: a indústria automobilística.

Profª Drª Fabiana Scoleso

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PENSAMENTO DO DIA…

February 14, 2010 Leave a comment

LUTA PELA EDUCAÇÃO

Professores comem, pagam contas, têm filhos, precisam sobreviver. Nem toda a paixão ou amor pela profissão sustentam a barriga de alguém. A luta por melhores salários é uma luta justa. Merece crédito e apoio. Deveríamos criticar o Governo do Estado do Maranhão pelos anos que ignorou e tratou com descaso a Educação do Estado. Greve sim! Greve para impactar, para pressionar, para incomodar. Não se brinca com Educação. É o pilar mais importante de uma sociedade. E é exatamente porque existe um abismo na Educação desse país que algumas pessoas criticam. Quando a gente tem condições de estudar em boas escolas, de vestir boas roupas e comer bem, neste país, significa tratar os que não têm nada com descaso também. Os que estudam em boas escolas, comem bem e têm uma boa vida deveriam ter uma visão diferente das coisas, não acham? Não tem porque sua educação serve para uma única coisa: passar no vestibular. Para mim isso é pouco. Educação é formação individual e coletiva; é conseguir enxergar os lados; é discernir; é questionar.. Questionar o governo que não soluciona e nem pretende solucionar os problemas sociais. E sabem por quê? Porque a “Classe Satisfeita” aprova que grande parte da população continue ganhando um salário indigno e que outros tantos continuem na marginalidade. A TV vende a imagem da felicidade e do pacifismo, a escola apenas treina para o vestibular. Resultado: um povo incapaz de lutar por igualdade, respeito, dignidade para todos.. PARA TODOS!!!

Em momentos como esse a gente chega a certas conclusões. E por mais que aqui eu não possa ser clara e literal, apenas indicativa, é sempre bom poder expressar e declarar posições e opiniões. Apesar da minha profunda vontade de ajudar e interagir, percebi que momentos, formações, posições e desejos também trazem consigo suas barreiras naturais e, contra elas, é difícil lutar, quiçá vencer. Assim, mesmo sabendo o quanto a vida é um campo de interações, aprendizados e mudanças contínuas, vou procurar retomar as antigas ações e tentar me proteger das coisas que eu posso me proteger. Vou olhar pra frente como sempre olhei, planejar como sempre planejei, viver meus momentos de solidão como sempre os vivi e procurar me sentir mais feliz. No passado eu deixarei as coisas correspondentes a ele, no presente carregarei o que me fortalece e o futuro vou deixar para ver e comentar quando ele chegar.

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O que fazer, o que falar, o que dizer…

February 10, 2010 Leave a comment

Fazia lgum tempo que eu não publicava algo aqui… Mas as ausências podem ser explicadas. É necessário maturar as idéias para que elas possam ser mensuráveis aos outros. Aquilo que meus olhos enxergam pode ser claro, mas não significa que seja claro para os outros.
Nos últimos tempos fiquei pensando nos ESTUDOS. Me peguei remexendo nos livros como se estivesse buscando respostas para uma pergunta que ainda não havia formulado. Engraçado quando você busca uma coisa e encontra outra… Durante minha busca encontrei várias outras das quais já havia me esquecido. Recuperei conhecimentos de coisas que, confesso, já estava desmemoriada. Passei anos da minha vida lendo, gastando grafite e caneta Bic… passei anos interpretando e buscando ser original… Demorei um bocado de tempo para entender certas coisas e muitas vezes fui veloz como um flash para assimilar tantas outras… Hoje tenho assunto pra tudo, resposta para muitas coisas e muito mais paciência do que antes (embora muitos me achem impaciente… eu juro que melhorei bastante).
Ao longo de anos desacortinei e eliminei a cortina de fumaça que teimavam colocar em frente dos meus olhos. Ainda que seja difícil encarar a realidade é muito melhor ter consciência sobre ela e forças para tentar mudar algo. Ainda me sinto em construção e acredito que viverei em construção o restante de minha vida. Assim vou aprender sempre e ensinar melhor.
Eu não tinha a intenção de explocar nada neste post, apenas digitar frases interessantes. Pelo menos eu acho que são. De repente elas sevirão para alguém… De repente elas poderão contribuir para tirar as vendas dos olhos ou apenas eliminar um pouco de fumaça das vistas.
E para as vistas… invista! Invista em você, no que acredita e no que pode fazer… Quando chegar lá vai olhar pra trás e ver, quando olhar novamente para a frente vai enxergar, e quando enxergar vai saber… que aquilo que confiou, quis e investiu valeu a pena viver… (Agora sorria!)

Bye

Fabi

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