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Para aqueles que desejam conhecer um pouco mais da história do Haiti indico:

Os jacobinos negros: Toussaint L’Ouverture e a Revolução de São Domingos, de C. L. R. James – publicado pela Editora Boitempo.

É um livro que aborda a história da independência Haitiana, seus traços de originalidade e também as correspondências ideológicas da independência com os ideiais da Revolução Francesa. Os traços da economia haitiana também são retratados com maestria pelo autor indicando a soberania econômica do Haiti com a produção açucareira como também sua decadência econômica e submissão política ao qual o país foi sendo submetido nas décadas subsequentes.

A construção da história haitiana por realizada por C. L. R. James neste livro é fundamental para compreender os problemas econômicos, políticos e sociais que assolaram e assolam o país nas últimas décadas.

Fabiana Scoleso

 

 

HAITI – O passado, o presente, o caos.

Em 1492 os espanhóis chegaram aos territórios hoje denominados Haiti e República Dominicana. Mas somente o lado oriental foi ocupado num primeiro momento. Quase toda população nativa foi morta ou escravizada.

A parte que ficava a oeste da ilha (atual Haiti), foi cedida aos franceses no ano de 1697. A partir daí a França passou a desenvolver a monocultura canavieira e a utilizar força de trabalho escrava africana.

As idéias revolucionárias provenientes da Revolução Francesa, no século XVIII, influenciaram os escravos a se rebelarem contra a dominação francesa.

Em 1804, enfim, o Haiti conquistou sua independência tornando-se a primeira nação negra das Américas.

Entretanto, nem seu sucesso como grande produtores e vendedores de açúcar, nem a força das idéias revolucionárias abolicionistas haitianas impediram que o país mergulhasse num período de intensos problemas políticos, econômicos e sociais.

Logo após a independência, os haitianos sofreram um “golpe” interno. Em 1806 a elite mulata tomou o poder conduzindo o país a um novo ciclo de desenvolvimento. Em 1814 o lado leste da ilha foi restituído à Espanha.

Entre 1915 e 1934, os Estados Unidos fizeram uma grande ocupação na região. Aliás, o governo norte-americano contribuiu imensamente para o enfraquecimento do poder político e econômico do Haiti. Por conta das posições abolicionistas que deram suporte à independência haitiana em 1804, os EUA romperam relações econômicas com o vizinho. Com medo de que tais idéias pudessem se transformar num grande problema, os norte-americanos adotaram a política de enfraquecimento deixando de comprar açúcar do Haiti e isolando politicamente o país.

As relações políticas/econômicas foram reatadas bem lentamente no século XIX, mas os resultados negativos de tal isolamento deixaram marcas profundas por muito mais tempo. Por conta dos sucessivos golpes e guerras civis muitas das lavouras canavieiras foram arrasadas, o que contribuiu para a decadência econômica do país, assim como para o aparecimento de inúmeros problemas sociais que transformaram o Haiti num dos países mais pobres das Américas.

Entre os séculos XVIII – XIX a população escrava do Haiti chegava perto dos 90%. Isso explica muito a forma como a organização interna do país se processou ao longo dos séculos subseqüentes. Uma população que, ao longo de sua história, foi expurgada e impedida de realizar experiências democráticas e de erguer pelas próprias mãos seu país. Subjugada pelos franceses, pelos mulatos e completamente aprisionada por sucessivos golpes e intervenções militares, os haitianos, ainda hoje, não conseguiram experimentar a autonomia política e a verdadeira liberdade.

Na década de 50 do século XX mais uma experiência desastrosa. François Duvalier foi eleito presidente do Haiti (1957), instalando um governo autocrático que perseguia e matava seus opositores. Com a morte de Duvalier em 1971 seu filho, Jean-Claude Duvalier, deu continuidade à tarefa do pai. Na década de 80 intensos protestos populares forçaram a sua saída do poder. Com medo, Jean-Claude fugiu para a França em 1986.

Com as eleições de 1990, o padre Aristide tornou-se presidente do Haiti. No ano seguinte um golpe militar depôs Aristide. Mais uma vez os EUA e a ONU fizeram intervenção no país exigindo que o presidente fosse restituído ao cargo. Somente em 1994 o Haiti foi ocupado por uma força multinacional que concedeu o poder novamente a Aristide.

Dez anos depois Aristide foi novamente eleito. Daí por diante grupos rebeldes começaram um levante armado (na cidade de Gonaives), que se espalhou rapidamente por outras cidades. Os insurgentes assumiram o controle do norte do Haiti.

Mesmo com esforços diplomáticos, a oposição ameaçou marchar sobre Porto Príncipe. O presidente Aristide deixou o poder e se refugiou na África do Sul.

De acordo com as regras Constitucionais do Haiti, o presidente da Suprema Corte, Bonifácio Alexandre, assumiu a presidência. Bonifácio requisitou rapidamente a assistência das Nações Unidas para o encaminhamento da transição política pacífica e para manter a segurança interna.

Desde então inúmeros grupos pacificadores ocupam o Haiti procurando garantir a segurança interna. Mas são muito grandes os desafios que esta nação tão destruída politicamente deverá enfrentar agora que mais uma catástrofe assolou seu território. Ajudas humanitárias têm chegado de todas as partes. O caos está instalado no Haiti. Só o tempo será capaz de cicatrizar mais essa ferida… Mas a marca dela nunca sairá da pele e da memória do povo haitiano.

Fabiana Scoleso 

 

Haiti: Passado conturbado, presente arrasado.

O Haiti foi a primeira nação negra a conquistar a independência. Numa revolta liderada por escravos contra a dominação francesa, os negros conseguiram expulsar as tropas enviadas por Napoleão em 1804. Assim, os haitianos deram uma importante contribuição à causa abolicionista que se espalhara pelo Continente Americano e pela Europa ao longo do século XIX.

Durante muito tempo o Haiti foi o principal exportador de açúcar do Continente Americano e respondia por 75% da produção.

O século XIX deu início a muitas novidades para esse povo. A nação mais rica da América no século XIX se transformou num lugar de miseráveis. Golpes militares, ditaduras, assassinatos, conspirações, guerras civis e corrupção foram os fatores internos que contribuíram com a decadência desse país. O isolamento internacional após a independência política e a ruptura nas relações comerciais entre o país e os Estados Unidos também contribuíram para a ruína econômica do Haiti.

A população escrava representava aproximadamente 90% da população. A disputa pelo poder colocou em lados opostos negros e mulatos que tinham uma melhor posição econômica e cultural e rapidamente formaram uma nova elite.

A primeira intervenção militar ocorreu em 1915 e durou quase 20 anos. Foi dessa maneira que os americanos fizeram obras de infra-estrutura, construíram estradas e até ajudaram na elaboração de uma Constituição para o país. (Mas nada de acreditar na bondade norte-americana. Este foi um ato de extrema intencionalidade).

O século XXI chegou para os haitianos como um turbilhão: recheado de problemas, o Haiti se transformou na nação mais pobre do continente americano e aquele que ostenta, dramaticamente, o primeiro lugar em mortalidade infantil. Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), em cada 10 haitianos, 8 estão na miséria e o desemprego atinge 60% da população.

Em 2004 o Haiti passou por uma devastadora guerra civil que trazem perversas marcas a este povo até hoje. Grupos armados, naquela ocasião, exigiam a renúncia do presidente Jean-Bertrand Aristide, este permaneceu dias entrincheirado no Palácio do Governo.  Já em 1991, Aristide havia sido deposto por um golpe militar. Desde então recebe intervenção militar internacional.

Casos de fraudes, corrupção vem permeando a triste história desse país. Até o Banco Mundial suspendeu, no ano 2000, a ajuda que vinha concedendo ao Haiti por conta da roubalheira.

Em 2004 forças rebeldes e governistas, mais uma vez, entraram em choque. Aristide, após haver anunciado que ficaria no governo até 2006, abandonou o Haiti com medo de uma invasão à capital Porto Príncipe.

Sob cobertura das Nações Unidas foi instalada uma força de pacificação internacional – MINUSTAH (sigla em francês para Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti). Essa Missão foi criada em 30 de abril de 2004 por meio da resolução 1542 do Conselho de Segurança da ONU.

Desde então o governo brasileiro mantêm uma Força Militar no Haiti a fim de contribuir na pacificação e na organização política do povo haitiano. Exército e Marinha já enviaram quase 15 mil soldados nos últimos 5 anos. A missão de paz no Haiti é considerada a mais importante operação brasileira dos últimos 20 anos.

Agora o Haiti passa por mais uma enorme catástrofe. O terremoto de 7 graus na escala Richter que atingiu na noite do dia 11/1/2010 o país já tem como probabilidade de mortos aproximadamente 100 mil pessoas. A calamidade toma conta, mais uma vez, deste país tão sofrido e ferido. Serão necessários muitos esforços para que esse povo possa ser ajudado. Reerguer a nação que ainda não havia se recuperado de suas crises políticas e econômicas será a tarefa mais árdua dos últimos tempos.

Forças ao povo haitiano!

Obs: procurarei, nos próximos dias, detalhar com mais precisão a história do Haiti expressando minhas opiniões particulares sobre as intervenções norte-americanas e sobre a decadência econômica e política do país.

Fabiana Scoleso

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